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CiclismoA BÍBLIA DO CICLISMO · CAPÍTULO 5

Avaliações no ciclismo: o que os testes revelam e como transformar os resultados em decisões

Conheça o teste de 30 minutos, o perfil de potência e as estimativas da edição, com cálculos e critérios para comparar avaliações.

Um teste não precisa apenas produzir um número. Ele deve ajudar a decidir o que treinar, como regular intensidade e se uma capacidade está mudando. Friel organiza o capítulo com essa finalidade: conhecer o ponto de partida e tornar a evolução verificável.

O cuidado inicial é escolher a pergunta. Um bom resultado em um esforço de poucos segundos não responde à capacidade de sustentar uma subida longa. E um valor de laboratório não descreve sozinho a habilidade de se posicionar em uma prova.

O teste de estrada descrito nesta edição

A 4ª edição utiliza um esforço de 30 minutos. A frequência cardíaca média dos 20 minutos finais funciona como estimativa da frequência cardíaca de limiar. A potência média do período completo informa o desempenho de trinta minutos, denominado CP30 na obra.

Essa referência é diferente do teste de vinte minutos discutido na 5ª edição do livro de triatlo. Misturar as durações e as correções de protocolos diferentes cria um resultado sem base no método que se pretende aplicar.

O teste é exigente e depende de ambiente e condições adequados. A descrição aqui explica a leitura dos resultados, sem substituir a preparação, a avaliação de prontidão ou as instruções completas do livro.

O perfil de potência mostra capacidades diferentes

Friel propõe avaliar esforços de 12 segundos, 1 minuto, 6 minutos, 12 minutos e 30 minutos, preferencialmente distribuídos em dias diferentes. O objetivo é construir uma curva que mostre a relação entre produção e duração.

Um ciclista pode ter grande potência breve e queda acentuada nos esforços longos. Outro pode apresentar menor pico e produção relativamente mais estável com o aumento da duração. O perfil ajuda a relacionar o atleta às exigências das provas.

CP6 e CP30, nessa nomenclatura, são potências por duração. Não devem ser presumidas como parâmetros idênticos aos de qualquer modelo contemporâneo de potência crítica.

O que é medido e o que é estimado?

O capítulo sugere estimar potências de durações maiores a partir de CP30: retirar 5% para CP60, depois 2,5% para CP90 e mais 5% para CP180. O próprio autor reconhece que essas extensões podem ser imprecisas.

Exemplo editorial: partindo de CP30 de 280 W, as contas produzem 266 W para CP60, cerca de 259 W para CP90 e 246 W para CP180. Isso não demonstra que o ciclista realmente sustentará 246 W durante três horas. A extrapolação não mede tolerância à duração, alimentação, posição ou distribuição de esforço nessa tarefa.

Há ainda uma passagem nos estudos de caso que aproxima um esforço solo de trinta minutos de uma prova de sessenta minutos pela diferença de motivação. As duas aproximações não devem ser tratadas como equivalências exatas e universais. É necessário informar qual critério está sendo utilizado.

Como reconhecer uma melhora?

O capítulo mostra que a potência pode aumentar sem que a frequência cardíaca de limiar se altere na mesma proporção. Portanto, perseguir uma frequência maior não é o objetivo do programa. Produzir mais sob condições comparáveis pode ser mais informativo.

Para comparar avaliações, registre recuperação anterior, equipamento, percurso, ambiente e execução. Começar rápido demais pode reduzir o resultado do teste e criar uma aparente melhora posterior que reflita, em parte, aprendizagem de ritmo.

O mesmo critério vale para repetição: comparar o que foi feito em estado descansado com o que foi feito muito fatigado não isola a adaptação.

Exemplo editorial: do resultado à prioridade

Um atleta tem boa produção em um minuto, mas perde contato em subidas de dez a quinze minutos. O perfil sugere investigar a produção sustentada nessa faixa e a distribuição do esforço, em vez de acrescentar mais sprints por serem sua atividade preferida.

O teste não resolve toda a explicação. Seu papel é estreitar a pergunta e oferecer um indicador para acompanhar o trabalho posterior. Avaliar, interpretar, escolher uma intervenção e reavaliar são partes do mesmo processo. Um número sem consequência no planejamento é informação acumulada, ainda não uma ferramenta de treinamento.

Referência: FRIEL, Joe. The Cyclist’s Training Bible. 4th ed. VeloPress, 2009. Cap. 5, “Testing”. Páginas físicas do PDF: 102–136. Síntese seletiva em palavras próprias. Os exemplos identificados como editoriais são do Enduran-se; não constituem casos adicionais relatados pelo autor.

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