O sueco Andreas Almgren venceu a primeira maratona da vida em 2:06:01, e Sheila Chepkirui conquistou o segundo título em três anos. Veja como foi a prova, a história dos campeões e por que Nova York não é lugar de recorde pessoal.

Andreas Almgren nunca tinha corrido uma maratona. No domingo (1º de novembro), o sueco de 31 anos alinhou em Staten Island ao lado de nomes como Benson Kipruto e Geoffrey Kamworor, esperou o grupo se desgastar até o quilômetro 35 e venceu a Maratona de Nova York em 2:06:01. Entre as mulheres, a queniana Sheila Chepkirui ganhou pela segunda vez em três anos, num final decidido nos últimos 150 metros.
Masculino
| Atleta | País | Tempo | |
|---|---|---|---|
| 1º | Andreas Almgren | Suécia | 2:06:01 |
| 2º | Yemaneberhan Crippa | Itália | 2:06:14 |
| 3º | Kamohelo Mofolo | Lesoto | 2:06:26 |
| 4º | Benson Kipruto | Quênia | 2:06:27 |
| 5º | Haftu Strintzos | Austrália | 2:06:34 |
Feminino
| Atleta | País | Tempo | |
|---|---|---|---|
| 1ª | Sheila Chepkirui | Quênia | 2:24:36 |
| 2ª | Jess McClain | EUA | 2:24:42 |
| 3ª | Hellen Obiri | Quênia | 2:24:43 |
| 4ª | Edna Kiplagat | Quênia | 2:25:42 |
| 5ª | Mercy Chelangat | Quênia | 2:25:46 |
Na cadeira de rodas, o suíço Marcel Hug ganhou seu oitavo título (1:28:14), um segundo à frente do americano Daniel Romanchuk. A também suíça Catherine Debrunner venceu com folga em 1:40:02.
Durante 35 km ninguém conseguiu se soltar. O grupo passou a meia maratona em 1:04:01 e, no km 35, os dez primeiros estavam separados por menos de um segundo. A liderança foi trocando de mãos entre Zouhair Talbi, Conner Mantz e Geoffrey Kamworor, sem que ninguém abrisse distância.
Almgren estava em quinto nessa marcação. Depois disso fez os últimos 7,2 km em 20:27, contra 20:40 do italiano Yemaneberhan Crippa, e se soltou de vez na última milha, já dentro do Central Park. A segunda metade dele foi mais de dois minutos mais rápida que a primeira, coisa rara num percurso como o de Nova York.
O detalhe que mais chama atenção na história do Almgren é o caminho até aqui. Ele começou nos 800 metros: foi bronze no Mundial Sub-20 de 2014, com 1:45.65. Depois foi subindo de distância, uma de cada vez.
Ou seja, em pouco mais de um ano ele foi medalhista mundial na pista, campeão mundial de meia e vencedor de uma Major. Os 2:06:01 ficaram a quatro segundos do recorde sueco da maratona (2:05:57, de Suldan Hassan). Ele também é o primeiro sueco a vencer em Nova York.
Para quem corre, a lição prática é a paciência: mesmo sendo o atleta mais rápido do grupo nas distâncias menores, ele não atacou cedo. Esperou o km 35 e decidiu no fim, onde a velocidade de pista fez diferença.
A prova feminina foi decidida nos metros finais. Hellen Obiri, dona do recorde do percurso, atacou na parte final, mas Chepkirui retomou a liderança perto do km 40 e se soltou nos últimos 150 metros. Atrás dela, Jess McClain passou Obiri nas últimas passadas e garantiu o segundo lugar por um segundo.
Chepkirui, 35 anos, já tinha vencido Nova York em 2024 e foi terceira em 2025. A melhor marca dela é 2:17:29, de Valência 2022, bem mais rápida que o tempo de domingo, o que diz muito sobre o tipo de prova que é Nova York (falamos disso abaixo).
O pódio de McClain também tem peso histórico: é a primeira americana entre as três primeiras desde Shalane Flanagan, em 2018.
A maratona tem os 42.195 metros oficiais e atravessa os cinco distritos de Nova York. A largada é em Fort Wadsworth, em Staten Island, já subindo a ponte Verrazzano-Narrows. Depois vêm Brooklyn (cerca de 11 milhas, a parte mais longa), Queens, Manhattan e um trecho curto no Bronx. A chegada é no Central Park, ao lado do Tavern on the Green.
No caminho são cinco pontes: Verrazzano-Narrows, Pulaski (na meia maratona), Queensboro, Willis Avenue e Madison Avenue.
Somando tudo, são mais de 800 pés de subida (cerca de 245 metros). Não é uma prova montanhosa, mas quase não tem trecho plano. Os pontos que mais pesam:
Em geral, não. Três fatores explicam:
Os números mostram isso. O recorde masculino do percurso é 2:04:58 (Tamirat Tola, 2023), mais de quatro minutos acima do recorde mundial. O feminino é 2:19:51 (Hellen Obiri, 2025). E Chepkirui, que já correu em 2:17:29, venceu com 2:24:36.
Para o corredor amador, Nova York é uma prova para viver e para correr bem, com estratégia: largar contido, correr por esforço nas subidas e não se empolgar na First Avenue. Se o objetivo for RP, Berlim, Chicago ou Valência são apostas melhores.
A primeira edição foi em 13 de setembro de 1970: 127 corredores deram voltas no Central Park e 55 terminaram. Fred Lebow e Vincent Chiappetta, da New York Road Runners, estavam por trás da ideia. Em 1976, para celebrar o bicentenário dos Estados Unidos, a prova passou a atravessar os cinco distritos, com 2.090 inscritos.
2026 foi a 50ª edição com o percurso pelos cinco distritos. O traçado também teve a primeira mudança em 15 anos: no Bronx, perto da milha 20, o número de curvas caiu de sete para cinco.
Algumas marcas da prova:
Cada um no seu ritmo. Juntos no caminho.